Nasceu em mil novecentos e cinqüenta e cinco, na localidade conhecida como Serra do Ilhéus, numa fazenda, na divisa (antiga) dos municípios Lajes e Rio do Sul. Sua infância foi passada entre pinheirais, animais, pastagens e natureza inóspita. As brincadeiras eram andar no mato, explorar grutas e grotas, escalar altos paredões rochosos (como a montanha do Morro do Funil, onde hoje, encontra-se torres de radio e televisão), cavalgar explorando os confins da propriedade, e trepar altos pinheiros com irmãos e primos.
Ao entrar na escola, chamava atenção dos professores, em Lages, onde iniciou os estudos, pela dedicação e cuidado que demonstrava com os livros. A biblioteca era seu lugar favorito, ao invés de ficar brincando frivolidades com colegas no recreio. Curioso, descobria livros de aventuras, de invenções, de conquistas e de descobertas cientificas. Conheceu a obra de Julio Verne e apaixonou-se pelas aventuras dos personagens deste escritor francês.
Sendo o mais velho de uma família de cinco irmãos, sentia-se na obrigação de compartilhar sobre o que lia com os mais jovens. Sonhava explorar o fundo do mar, que só conhecia nos livros, viajar pelas galáxias, inventar uma maquina do tempo e construir um avião para sobrevoar o lugar selvagem e frio onde vivia (este mesmo lugar depois ficou conhecido como Serra dos Pires, recentemente, devido aos acidentes na rodovia BR quatrocentos e setenta, que corta a região, passou ser conhecido na imprensa como Serra da Santinha, local onde em um mil novecentos e noventa e nove, aconteceu um dos acidentes rodoviários mais graves do Brasil, com dois ônibus e quarenta e duas pessoas mortas, maioria, turistas argentinos).
Na adolescência, gostava de escrever cartas a pessoas com quem convivia, desde professores, colegas de classe, vizinhos a namoradinhas.
Entre o período ginasial e o segundo grau, suas redações eram muito conhecidas, acabavam sempre no quadro mural, colocadas pelos professores, ou pelos colegas, para todos do colégio ler.
Animado pela repercussão, com quinze anos de idade, passou a produzir uma revista mimeografada ilustrada e datilografada, onde destacava, desde feitos esportivos da turma a, criticas a políticos, professores, cidadãos destacados e pessoas comuns. Na revista mensal, com folhas unidas a grampos, publicava reportagens sobre acontecimentos corriqueiros, quadrinhos, caricaturas, informações, e uma coluna chamada: ¨olho no dedo¨, que acabou- lhe causando aborrecimentos.
Seus artigos estavam longe de querer agradar, muitas vezes, suas criticas resultavam em irritações publicas naqueles cidadãos abordados e caricaturados. Depois de quatro tiragens, duzentos exemplares, e diversos entraves, desistiu de continuar mimeografado a revista, batizada “Água-turva”. Tudo porque, a situação tornou-se insustentável, quando foi cercado na rua por seguidores de destacado cidadão criticado. Esfregaram-lhe as folhas no rosto, agrediram a tapas, queriam fazer engolir o papel do ultimo exemplar, no meio da rua, para todo mundo ver e, rir.
Isto o traumatizou, poderia ser machucado fisicamente se continuasse com aquela inusitada revista de impacto social. Então, sua precoce aventura jornalística teve fim, mesmo porque, estava ficando caro demais, e já não suportava mais pedir dinheiro para sua mãe.
Talentoso também com pinceis, nesta época, para engordar orçamento, pintava paisagens em telas, fazia copias de quadros religiosos, personagens infantil em cartolinas, e ilustrações de caveiras em jaquetas de brim, moda dos anos setenta. Seus clientes eram proprietários de terras orgulhosos da região, seguidores religiosos, mães zelosas querendo decorar quartos de crianças e jovens rebeldes. Por este tempo, já demonstrava o costume de isolar-se para ler, escrever e pintar. Irritava-se, como agora, com interrupções nas suas dedicações artísticas.
Começou a expor seus trabalhos em telas, primeiramente na escola, depois no salão da igreja e, na sede do clube de futebol Guarani esporte clube de Lages, onde era jogador atacante do time.
Gostava de praticar esportes.
Também, nos finais de semana, quando não tinha jogos de futebol, montava cavalos do pai em disputadas corridas nas raias dos municípios da região serrana de Santa Catarina e Rio grande do Sul
Só para divertir-se.
No inicio dos anos oitenta, enfastiado com a monotonia da vida na fazenda, mudou-se para Blumenau para trabalhar num estúdio, em sociedade com dois colegas, desenvolvendo ilustrações e redações publicitárias. Por esta época, iniciou um pequeno comercio de produtos químicos para estamparias, então um segmento em expansão no sul do país.
Após morte do pai e decadência da fazenda, formou-se técnico químico em mil novecentos e oitenta e seis, passando a atuar nos estados de Santa Catarina e Paraná. Fundou a empresa Morais Neto indústria química ltda.(desaparecida em dois mil e dois). Paralelo ao seu trabalho técnico, continuava desenvolvendo campanhas publicitárias e desenvolvendo pintura, participou de raras exposições de arte, geralmente coletivas em congressos de química industrial e feiras do ramo.
Publicou pequenos artigos técnicos voltados ao setor.
Ao completar quarenta e cinco anos de idade sofreu acidente de motocicleta, ficando em coma durante alguns dias num hospital. Ao sair, semanas depois, andando, com perna e parte do corpo enfaixado com gesso, movimentando-se com muletas, estava mudado, queria recuperar tempo perdido, sentia de novo aquela inquietação de escritor guardada no peito desde a adolescência.
Seu lado, crítico social, voltou a manifestar-se, e aos poucos, voltou a escrever, agora cuidando mais dos seus textos. Neste reinicio, não mostrava seus artigos, nem mesmo para parentes e amigos. Não os considerava bons.
Voltou a enviar cartas para pessoas ao redor.
Com incentivo dos amigos, foi-se encorajando publicar os escritos, assim, passou a enviá-los para seção cartas de jornais de santa Catarina e São Paulo. Tem preferência por escrever crônicas sobre arte e artistas, com destaque ao estímulo da produção das artes, natureza maltratada, patrimônio arquitetônico abandonado e, aquele assunto caro a ele: temática de impacto social.
Com o passar dos anos, aprendeu não escrever críticas no sentido pessoal, com nomes envolvidos, e sim, sobre o que cargos e funções representam, na forma da importância social, numa ampla visão de observação.
Nunca foi seguidor de modismos, consumismos, ou propagação pessoal. Não freqüenta clubes, bares, restaurantes, shoping-centers, igrejas, eventos sociais (Até pode ser visto num ambiente desses, mas isto é muito raro, raríssimo). Acha-lo através do telefone celular é impossível, pelo simples fato de não usar este aparelho tecnológico
Não participa de conferencias culturais, debates políticos, fóruns sociais, associações de classes, conselhos de cultura, grupos de terapia ocupacional, ou outra reunião politiqueira qualquer. Tem vontade de jogar fora seus documentos pessoais, afirma, demonstrando toda a rebeldia do seu ser.
Depois da venda da sua empresa, logo após saída do hospital, hoje, dedica-se a escrever e pintar, sem compromisso, rótulo ou obrigação. Ele diz. Vive sozinho, entre seu sitio próximo a Blumenau e seu apartamento no centro antigo de São Paulo. Apesar do, assustador, acidente, continua andando de motocicletas, que considera, um bom e rápido veículo de transporte individual, onde, precisa talento do condutor. Nos objetivos, ainda, a criação de uma revista, sonho dos tempos da ¨Água-turva¨ da adolescência.Atualmente, terminou seu primeiro livro, um romance de aventura, previsto para ser lançado no inicio do ano dois mil e onze. Inquieto, já pensa no próximo, que só sabe, será também um romance de aventura.
Contato com Tácio: e-mail: taciomoraisneto@ gmail.com
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